Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
VIAGENS DE ANTONIO MIRANDA PELO MUNDO
 


AUGUSTO BOAL NA VENEZUELA
29-11-1990

                                                             

Augusto Boal   Foto: Correio IMS

 

[Augusto Pinto Boal foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Wikipédia
Nascimento: 16 de março de 1931, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Falecimento: 2 de maio de 2009, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro]

Ele andou pela Venezuela quando eu morava por lá. Era a época da “Revolução de 64” e Boal “amargurava”  o seu exílio, depois de ter sido preso e torturado. “Amargurava” não era o que entendia por suas andanças pela Europa e América. Para este exilado era sempre “filhinho de papai”.

“— Sabe por que tu tá preso, cara? Porque tu anda pelo estrangeiro falando mal de nosso Brasil. Esquerdista vive na Europa, a gente é que trabalha, dá o duro. Sabe por que tu tá preso, não sabe? É porque tu vai lá pra fora sujar a imagem do Brasi, dizendo que aqui tem tortura...”

A cena patética, de humor negro, quase surrealista, fazia parte de uma peça teatral autobiográfica que Augusto Boal escreveu para denunciar a repressão militar.
O torturador com raiva do intelectual dependurado do “pau de arara” acusando-o de comunista anti-nacional, apátrida, a serviço da ideologia exótica.
Mas a peça de Boal não era só auto-biográfica — (como se chamava mesmo?) — mas também autocrítica, uma reflexão desapaixonada do processo revolucionário do final da década de 60.

A certa altura, Boal insinua que “a metade que está presa aqui — na cela do DOI-CODI ­— “foi denunciada pela outra metade que ficou lá fora”.  As lutas entre facções ideológicas seriam aliadas constantes da própria Ditadura, enfraquecendo a resistência ao regime de 64.    
A imprensa radical não gostou. Teatro de denúncia era para criticar o establishiment, não era para servir de “quinta coluna”, para o divisionismo. A peça não seria revolucionária. Pior do que isso, era revisionista. E não havia nada mais execrável que o mercusianismo, o esquerdismo inconsequente, hyppie.

Voltei a encontrar-me com Boal na Dinamarca, no início de 1976. Estava dando um curso relâmpago de teatro participante. Não sei que nome dava àquela experiência de encenação com o público, sem texto predeterminado, espécie de happening em que os “alunos” atuavam, criando situações e cenas livremente. Interessante. Participei do ato lúdico com minha amiga Annete Skov e divertimo-nos à beça. Valeu!
Pouco tempo depois a música “Mulheres de Atenas” entrou nas paradas de sucesso. A música era do Chico Buarque e a letra do Boal.  Os tempos eram de “distensão política“ e,
depois, ele voltou para o Brasil. Nunca mais soube de suas performances.


https://www.pstu.org.br/arena-conta-zumbi-a-luta-negra-num-marco-do-teatro-brasileiro/

Comprei agora um “compact disc” da peça “Arena conta Zumbi”, que ele escreveu com Gianfresco Guarnieri, com música de Edu Lobo, que era a grande revelação, em 1965, da fase “participante” da bossa nova. O lançamento, comemorativo dos 30 anos da bossa nova, revelou uma gravação original, com suas virtudes e imperfeições, com as vozes de Lima Duarte, Dina Sfat e Marilia Medalha. Uma preciosidade.
O samba ao compasso da bossa nova, criou um clima dramático ao espetáculo. Talvez tenha sido a primeira vez que se fez uma peça musical eminentemente brasileira, do tema à direção inovadora (do Boal), da música aos cenários. Arena conta Zumbi foi o marco inicial para outros espetáculos do gênero.

É fácil entender que o sucesso deveu-se não apenas à excelência do texto, à qualidade da música, da direção e da interpretação, mas também, e sobretudo, pela denúncia, pela exaltação da liberdade, pelo chamamento à luta, no momento exato em que a Ditadura instalava-se no Brasil. Antes que ela instaurasse a censura mais castradora que jamais vivera a cultura brasileira.
A história do quilombo de Zumbi era um tema adequado para a agitação. E ainda havia a denúncia da questão do negro, embora não existissem negros no palco. Nem havia necessidade, pois os atores brechtianamente contavam a gesta libertária, não interpretavam personagens (no conceito stanislavskiano       do termo).
A peça continua fascinante, forte, rica de ideias, simples mas inovadora. E, ainda, moderna. A bossa nova continua vigente, atual.


 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar